
A minha entrada na Dança do Ventre foi por motivo parecido com o da Val. (postagem do dia 25/02)
Eu nunca tinha trabalhado na área da saúde e, quando fui demitida do meu emprego num escritório de arquitetura, dois dias depois estava empregada em um hospital para fazer pré-faturamento dentro das UTI'S. Nessa época o que me deixou muito assustada foi quando pediram uma vaga para uma paciente que vinha de outra cidade de helicóptero e ia ficar na UTI Coronariana (mesmo o diagnóstico sendo obesidade mórbida), pois a paciente tinha exatos 180kilos e as camas da UTI Geral não suportariam o peso dela. Quando a paciente chegou e vi, três seguranças, dois auxiliares de enfermagem e o médico para colocar a paciente da maca para a cama eu fiquei me perguntando: "Como pode um ser humano se deixar chegar a esse ponto?", "Onde está o amor próprio dessa pessoa?"
Para mim, motivo nenhum justificava aquela paciente daquele tamanho, pois as grades da cama não podiam ser levantadas porque prenderiam o braço dela. Foi quando fiquei com medo de algum dia, ficar daquele jeito.
Fiquei nas UTI'S por cinco anos, nesse meio tempo, passei na faculdade de Direito e comecei a me dedicar ao que hoje é minha profissão, pela qual sou apaixonada.
Quando estava no penúltimo semestre da faculdade fui promovida no hospital a secretária de diretoria, fui secretariar dois diretores e cuidar do cadastro médico. Com isso, tive que transferir minha faculdade para o noturno.
Minha adaptação, tanto no cargo novo como no horário novo da faculdade, me renderem noites sem dormir e dias de muitas lágrimas, pois um dos diretores também era novo e, quase todos os dias brigava comigo sem motivo algum e na faculdade, ninguém falava comigo por ter vindo da turma da manhã. E, com medo de perder o emprego pois sem ele não conseguiria terminar minha faculdade, guardava tudo para mim, o único modo de desabafar era chorando.
Dois meses antes de entregar meu trabalho de conclusão de curso, meu irmão lindo e amado faleceu em um acidente de moto e, sobrou para mim, a difícil tarefa de dar a notícia para minha mãe e minha irmã (que não falava com esse meu irmão fazia algum tempo). Começou a me bater um desespero, pois não conseguia escrever nada em minha monografia, que já estava bem adiantada, além da preocupação de ser reprovada na banca examinadora, mas graças a Deus e o apoio do meu professor orientador, passei com a nota máxima, mesmo com todos esses contratempos.
Enquanto não vi meus pais melhores com a aceitação de ter perdido meu irmão fiquei ali, aguentando tudo com firmeza, sem me deixar abater. Eu virei a mãe e o pai da minha casa, pois meu pai tem depressão, achei que fosse piorar, mas graças a Deus isso nãoa conteceu. Minha mãe pensou em se matar duas vezes porque achava que assim iria encontrar com meu irmão. Segurar tudo isso sozinha até o primeiro ano da morte do meu irmão não foi tarefa fácil. Tinha vezes que ligava em prantos para minha tia, para pelo menos contar o que acontecia e para ela, de algum modo, me ajudar com toda aquela situação. Nesse período comecei a ter crises muito fortes de dores de cabeça, seguida de muito enjôo. Além de muitas dores no estômago.
Passado quase um ano do falecimento do meu irmão e depois de uma série de exames, descobri que havia adquirido enxaqueca e gastrite, ambas de fundo emocional, ou seja, não posso passar nervoso que elas aparecem.
O neuro que diagnosticou a enxaqueca me disse que precisa procurar uma atividade de me satisfizesse, para poder me desestressar e desviar os problemas de alguma forma, pois como eu não "estourava" o corpo respondia de alguma maneira.
Além de fazer um tratamento com fazer tratamento com uma psicóloga, fui fazer academia e dança do ventre. Em um ano de academia, sai dos 58kg e fui para 53 kg.
Sai da academia, mas continuei na dança do ventre. Sempre tive vontade fazer, pois achava tudo muito lindo e começar a conhecer a história da dança do ventre, o significado de cada dança me deixou longe de tudo de ruim que tinha acontecido comigo. Com três meses de aula entrei em outubro e a apresentação foi em dezembro de 2006) fui para minha primeira apresentação (mesmo com vergonha) dancei em grupo. Foi uma experiência única.
Na apresentação de 2007, já era considerada aluna avançada e, montei uma coreografia para dançar sozinhar. Foi uma experiência melhor que a primeira, pois não sabia que era capaz de montar uma coreografia e enfrentar um público de mais de 200 pessoas com os olhos voltado apenas para mim.
O apoio da minha professora de dança do ventre foi muito importante em toda essa fase de "voltar a minha vida", depois da morte do meu irmão. Ela me deu alguns "puxões de orelha", mas que me fizeram acordar para a realidade. Hoje sou muita grata por ela fazer parte da minha história.

Em 2008, tinha voltado aos 58kg que tinha e, numa apresentação no aniversário do Clube Vila Mariana, meu namorado tirou uma foto no momento em que estava dançando onde eu percebi o quanto estava engordando e isso que me deixou extramente preocupada e me fez lembrar da paciente de 180 kg, pois acabei por responder uma de minhas perguntas. Ali percebi que a obesidade daquela paciente deve ter chegado inconscientemente e ela acabou se acomodando pois era o que estava acontecendo comigo. Eu percebia meus braços mais gordinhos, a barriga mais saliente, mas no meu pensamento eu não estava gorda, eu achava que estava bom com aquele corpo, foi quando resolvi tomar uma atitude e cheguei na Meta Real, assiste a uma palestra de demonstração e me encantei com a orientadora, pois se ela foi determinada a emagrecer 30 kg, porque eu não conseguiria emagrecer aqueles cinco quilos que me encomodavam. Na semana seguinte já estava matriculada na Meta e seguindo o método. Em uma semana emagreci 1kg e 200g, o que medeixou feliz e empolgada com o meu emagrecimento. Em pouco mais de três meses atingi minha Meta (53kg) e sou outra pessoa. Sou mais confiante em mim mesma e com a certeza de que sou capaz de alcançar tudo que eu desejar verdadeiramente. No final de 2008, mais um desafio, dançar com véus. De todas as modalidades da dança do ventre o véu sempre me fascinou devido ao mistério que ele proporciona. Pois bem, montei uma coreografia para dançar a música inteira com o véu, para minha própria surpresa, não dancei com um, mas com dois véus. No momento em que entei no palco me senti leve e com uma sensação de liberdade intensa. Foi a melhor sensação da minha vida. Coincidência ou não, no ínicio da minha coreografia com véus eu entrei completamente fechada, só com os olhos à mostra, depois de quase um minuto de música, eu abria os véus e começava a girar. Naquela hora percebi que minha vida tinha sido assim, até aquele exato momento.
Eu estava fechada para a vida, para tudo e para todos, mas no segundo semestre de 2008 minha vida girou (n

o dia em que fui aprovada na OAB, fui demitida do hospital), se abriu um novo ciclo e eu pude me abrir e mostrar como realmente eu sou: UMA POSSIBILIDADE!
Sempre tive um pensamento comigo: Deus não nos dá um fardo maior do que aquele que podemos carregar, que nada acontece por acaso em nossas vidas, pois tudo tem uma razão de ser. As pessoas que entrarm em nossas vidas, são verdeiros anjos que aparecem para nos ajudar a levantar, se manter em pé e permitir que possamos caminhar sozinhos, pois quando conquistarmos nossas vitórias, apesar das dificuldades, esses anjos estarão nos aplaudindo de pé!
Por isso agradeço muito desses anjos que tenho em minha vida e, mais especialmente a Sabah, minha mestra que me ensinou a arte da dança do ventre e que há uma integração entre a dança, corpo e espírito. Meu namorado, que voltou para minha vida (pois já nos conheciamos a mais de 10 anos, quando nos reencontramos novamente) num momento muito difícils mas que sempre me ajudou, me apoiou com todo seu amor, paciência e comprrensão. E a você Roseli, que me ensinou que tudo é possível quando se tem força de vontade, determinação e acredita-se em si mesmo.
Essas três pessoas entraram em minha vida depois que meu irmão se foi e, me ajudaram muito a ser o que sou, a me sentir como me sinto hoje. POSSO DIZER COM TODA SEGURANÇA QUE SOU A PESSOA MAIS FELIZ DO MUNDO PORQUE SOU MAGRA (para sempre) E ESTOU CONQUISTANDO MEUS OBJETIVOS AOS POUCOS E REALIZANDO MEUS SONHOS. OBRIGADA POR TUDO!
Desculpe Rô, mas escrever muito deve ser mal de advogada...rsrs. Mas essa é minha história.
Eu autorizo você colocar as fotos no seu blog sim, pois se serve de estímulo para outras pessoas, fico feliz em poder ajudar de alguma forma, até porque você me ensinou que não se emagrece sozinho...rsrs.

